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Devolução do Funrural a produtores de café: R$ 622 milhões

Devolução do Funrural a produtores de café: R$ 622 milhões

Depois de 11 anos de disputa judicial, os recursos recuperados pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) em uma ação relacionada ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) começam a chegar aos cafeicultores e a ganhar novos destinos dentro da cadeia produtiva. São mais de R$ 622 milhões de contribuições compulsórias indevidas que retornam aos cooperados, em um movimento que ultrapassa as propriedades rurais e alcança comércio, fornecedores e prestadores de serviços nos municípios cafeeiros.

A decisão judicial reconheceu a não incidência do Funrural sobre determinadas exportações de café feitas pela cooperativa em nome de seus associados. Além do entendimento de que a cobrança de contribuições sociais sobre receitas de exportação é inconstitucional, no caso da cooperativa ainda há o conceito de ato cooperativo: a entrega do café pelo produtor à cooperativa para que ela faça a comercialização e exportação em seu nome não é sinônimo de compra e venda. Como um típico ato cooperativo, que não envolve operação de mercado, não cabe tributação, conforme a Lei nº 5.764/1971.

A ação vencida pela Cooxupé contempla cerca de 16 anos de valores corrigidos pela Selic. Desde agosto de 2025, após o trânsito em julgado, a cooperativa deixou de reter o Funrural nessas operações.

Produtora de café Suzana Santos ao lado dos pais, pioneiros dos cafés especiais no Brasil (Foto: Divulgação / Arquivo pessoal)