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Por que cooperativas de crédito crescem nos pequenos municípios

Por que cooperativas de crédito crescem nos pequenos municípios

Em Serranópolis do Iguaçu, no Oeste do Paraná, vivem pouco mais de 5 mil pessoas e funcionam três cooperativas de crédito. Há cerca de três anos, o município deixou de ter agência física dos bancos tradicionais. Cresol, Sicredi e LarCredi permaneceram com atendimento presencial. A última delas chegou em 2021, quando pix, aplicativos e contas digitais já permitiam resolver pelo celular boa parte do que antes levava o cliente até uma agência.

O cenário encontrado nessa pequena cidade paranaense se repete em diferentes proporções pelo Brasil afora. As cooperativas de crédito mantêm presença física em 59% dos municípios brasileiros e, em 1.072 deles, são a única instituição financeira em funcionamento. Em seis anos, a base de cooperados cresceu 115% e chegou a 22,95 milhões em 2025. Na prática, oito em cada dez cooperados do Brasil estão numa cooperativa de crédito.

O avanço também aparece nos números financeiros. Os ativos ultrapassaram R$ 1,15 trilhão e a carteira líquida de crédito chegou a R$ 516 bilhões em 2025. O segmento responde por 8% do Sistema Financeiro Nacional e por 9,8% dos depósitos, segundo dados do Banco Central reunidos pelo AnuárioCoop 2026.

Dinheiro da comunidade circula na comunidade

A expansão física chama atenção justamente porque ocorre enquanto a relação dos brasileiros com o dinheiro migra rapidamente para o digital. Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, relaciona o crescimento à evolução da legislação, ao reconhecimento das cooperativas pelo Banco Central como instrumento de inclusão financeira e à ampliação dos produtos e serviços. Esse modelo fortalece a confiança e faz com que os recursos circulem nas próprias comunidades, financiem famílias, produtores rurais, empreendedores e pequenos negócios. “Na cooperativa de crédito, diferente de uma outra instituição financeira, você não é só um cliente”, sublinha Fabíola.