São Paulo — O governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) prepara a nomeação do deputado federal Ricardo Salles (Novo) como titular da Secretaria da Justiça e Cidadania do governo de São Paulo em 2027. A informação foi confirmada ao Metrópoles com aliados dos envolvidos.
Salles se candidatou ao Senado nas últimas eleições, porém o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL) desistiu da disputa na última semana da corrida eleitoral por um acordo eleitoral. A decisão foi comunicada após reunião com o governador no comitê de campanha de Tarcísio na tentativa de beneficiar as candidaturas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) — os dois acabaram eleitos senadores.
Na ocasião, pessoas próximas a Tarcísio negaram que o governador tivesse negociado algum cargo com o deputado federal em troca de sua desistência da candidatura.
“O momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes, têm que ser deixadas de lado […]. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, disse Salles à época para a reportagem.
O governador enalteceu a decisão: “Hoje, a gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda a legitimidade para continuar na sua caminhada […], dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar”.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles SP
Quem é Ricardo Salles
Ricardo Salles foi ministro do Meio Ambiente durante o governo Bolsonaro. A gestão ficou marcada pela frase “passar a boiada”, proferida em uma reunião ministerial de 22 de abril de 2020, em que ele defendeu aproveitar o momento em que a imprensa estava concentrada na pandemia de Covid-19 para avançar com mudanças de regras ambientais.
Na visão de Salles, o intuito era propor uma “desburocratização em todos os ministérios”. “O Brasil é o inferno do empreendedor, é o país que torna a vida de todo mundo uma verdadeira via-crúcis quando se trata de licenças, de autorizações, regras absurdas, tributação absurda e foi isso que eu disse naquela reunião e continuo dizendo”, argumentou.
Em entrevista ao Metrópoles, em São Paulo, o ex-ministro justificou que estava propondo um “trabalho de modernização”. “Nós temos que desburocratizar regras contraditórias no Brasil, não só no meio ambiente, mas em todas as matérias, tornar o empreendedorismo, o investimento, coisa que possa ser feita com menos óbices formais”, afirmou.
Fonte: Metropoles