Investigadores da Polícia Federal (PF) identificaram que um caminhoneiro envolvido nos atos de 8 de Janeiro, que rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu do Brasil, atuou na Argentina como fiscal do Partido Liberal (PL) nas eleições brasileiras de 2026.
De acordo com os investigadores, Claudiomiro da Rosa Soares, de 52 anos, foi visto dentro da Embaixada do Brasil em Buenos Aires.
Segundo a PF, o caminhoneiro estava credenciado para fiscalizar a votação nas seções eleitorais brasileiras instaladas no Palácio Pereda durante o primeiro turno das eleições. Brasileiros que moram na Argentina votaram apenas para presidente.
A Embaixada do Brasil fica em frente à Praça Carlos Pellegrini, na região de Retiro, em Buenos Aires, capital da Argentina.
Entre no canal de WhatsApp
da Coluna Manoela Alcântara
O documento sigiloso foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos relacionados ao 8/1, dois dias após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Claudiomiro está sem monitoramento por tornozeleira eletrônica desde 6 de junho de 2024, quando o equipamento parou de transmitir a localização. Ele morava em Balsas (MA). Investigadores consultados pela coluna acreditam que o caminhoneiro deixou o país naquela ocasião.
Ele havia sido preso durante os ataques de 8 de Janeiro, mas foi liberado com a obrigação de usar o equipamento e cumprir outras restrições.
O caminhoneiro é acusado de participar da invasão e da depredação das sedes dos Três Poderes. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), um policial judicial relatou que Claudiomiro entrou no plenário do STF e destruiu móveis.
Em depoimento prestado na madrugada de 9 de janeiro, logo após os ataques, Claudiomiro negou ter destruído patrimônio público. Ele afirmou que entrou no prédio do Supremo para ajudar a apagar incêndios.
Claudiomiro responde no STF por cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada e destruição de patrimônio público.
A coluna procurou o PL e a defesa de Claudiomiro, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Também foi procurado o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), responsável pelas eleições no exterior, que não retornou.
2 imagens
Atos
Claudiomiro participou, em novembro do ano passado, de um protesto na Argentina contra o ministro Gilmar Mendes. O decano do STF estava no país para participar do Fórum de Buenos Aires.
Outros foragidos também participaram do ato, como Symon Filipe de Castro Albino, que chegou a se levantar na plateia e afirmou estar sendo acusado injustamente por Moraes.
Fonte: Metropoles